O Governo de Cabo Verde vai suspender a operação do avião da Guarda Costeira utilizado na fiscalização da vasta Zona Económica Exclusiva do arquipélago, devido aos elevados custos de manutenção. A decisão foi anunciada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional.
Durante o debate parlamentar sobre o Estado da Nação, realizado esta sexta-feira, 21 de Julho, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Comunidades e Defesa Nacional, Manuel Amante da Rosa, considerou que a aquisição da aeronave militar constituiu um negócio "muito lesivo" para o Estado de Cabo Verde. Segundo o governante, os elevados custos de manutenção tornaram inviável a continuidade da operação do King Air 360ER, da Guarda Costeira.
"O Estado está a pagar cerca de 190 mil contos em contratos de prestação de serviços para manter operacional essa aeronave. Nós não temos como continuar com esses encargos financeiros. Os dois motores originais da aeronave, um encontra-se no Canadá e o outro na África do Sul, para reparação. Estamos a voar com motores alugados, que já atingiram o limite de horas contratadas. A solução que encontrei foi devolver esses motores, porque as empresas pretendem que façamos um novo contrato de aluguer por mais de 100 horas, o que representaria um encargo elevadíssimo, na ordem dos 117 mil contos", explicou o ministro.
Presente no debate, a deputada do MpD e antiga ministra da Defesa Nacional, Janine Lélis, defendeu a aquisição do King Air 360ER, sublinhando que a aeronave reforçou a capacidade de vigilância marítima, de busca e salvamento e de evacuação médica. A antiga governante destacou ainda os investimentos que diz ter deixado em curso no sector da Defesa.
"Deixei uma herança em que o senhor recebeu seis embarcações novas, um acordo com o Luxemburgo para financiar drones e a formação de militares para os operar, no valor de 1,2 milhões. Vai receber ainda um navio-patrulha financiado pelo UPF. E deverá receber, em Setembro, a confirmação de cerca de 60 milhões para investir precisamente naquilo que o senhor quer destruir", detalhou a antiga ministra da Defesa.
A aquisição do King Air 360ER foi justificada pela necessidade de reforçar a fiscalização da Zona Económica Exclusiva de Cabo Verde, com cerca de 734 mil quilómetros quadrados. A aeronave destinava-se igualmente a apoiar operações de busca e salvamento, o combate ao tráfico de droga, à pirataria e ao crime organizado, bem como missões de evacuação médica entre as ilhas.
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