Presidente do Cabildo de Gran Canaria denuncia “falta de transparência” na crise do cruzeiro ao largo de Cabo Verde

 



As recentes declarações do presidente do Cabildo de Gran Canaria, Antonio Morales, vieram intensificar o debate em torno da gestão da crise sanitária do cruzeiro MV Hondius, atualmente ao largo da costa da Praia, em Cabo Verde.


Morales criticou abertamente aquilo que considera ser uma “falta de transparência” e “descoordenação” entre as diferentes entidades envolvidas, apontando divergências entre as orientações da Organização Mundial da Saúde e as posições assumidas pelo Governo de Espanha. Segundo o responsável, esta situação tem contribuído para aumentar a incerteza e a preocupação pública, ao invés de transmitir confiança.


O dirigente canário destacou ainda que, de acordo com parte da comunidade científica, o hantavírus não apresenta, em princípio, capacidade significativa de transmissão direta entre humanos. No entanto, sublinhou que essa informação deve ser comunicada de forma clara, coordenada e oficial pelas autoridades sanitárias, evitando interpretações contraditórias.

A partir de Cabo Verde, onde o navio permanece após a recusa de atracação por razões de saúde pública, estas declarações são acompanhadas com atenção. A decisão das autoridades cabo-verdianas, baseada no princípio da precaução, surge agora inserida num contexto mais amplo de incerteza internacional e falta de consenso entre diferentes níveis de decisão.

Morales defendeu que qualquer decisão sobre o destino do navio deve assentar em critérios científicos rigorosos e no cumprimento dos protocolos internacionais aplicáveis a crises sanitárias desta natureza, alertando para os riscos de decisões precipitadas num cenário marcado por informação ainda em evolução.



Este episódio evidencia os desafios de coordenação em situações de risco sanitário transfronteiriço, onde a rapidez de resposta deve ser acompanhada por clareza na comunicação e alinhamento entre instituições. Para Cabo Verde, que optou por uma abordagem preventiva, o desenvolvimento do caso continua a reforçar a complexidade das decisões tomadas num contexto de elevada incerteza.

A situação do MV Hondius permanece sob vigilância, enquanto diferentes países e organismos internacionais procuram uma solução que concilie a assistência aos passageiros com a proteção da saúde pública.


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